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TODO MUNDO GANHA COM A EXPORTAÇÃO
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E.
P. Luna
As
pessoas costumam ter uma visão
maniqueísta do Comércio Exterior.
A Exportação é o bem. A Importação
é o mal. Muitos pensam que o Brasil
não precisa exportar. O País é
capaz de produzir tudo o que precisa.
E do lado da Exportação, muitos
consideram que temos um enorme
mercado interno, capaz de absorver
tudo o que se produz. Sendo, portanto,
desnecessário desperdiçar esforços
para colocar lá fora o que se
fabrica aqui dentro, onde há um
mercado ávido e insatisfeito.
Trata-se, como pensamos, de uma
idealização que, apressadas, as
pessoas adotam. Sem qualquer preocupação
maior com os interesses do nosso
consumidor e num nível mais elevado,
com a economia do País. Um modo
de compreender melhor a dinâmica
do comércio exterior é pensar
o País como uma fábrica. De fato
isso é uma simplificação. Sobretudo
quando pensamos que a estrutura
de produção de um País é muito
mais complexa. No entanto, se
queremos compreender o comércio
exterior, essa simplificação tem
sentido. Pensemos, por exemplo,
numa fábrica de calçados e a infinidade
de matérias primas que a confecção
de um sapato requer: o couro e
suas diversas qualidades para
cada exigência – a raspa, a sola,
a gáspea, o salto, entre outros,
a linha para costurar as partes,
as tachas para preguear, as colas
para juntar, os cadarços, as presilhas,
as fivelas, as tintas, as fôrmas,
as borrachas e plásticos dos saltos
e solas, os papelões, entre outras
que só os especialistas podem
nomear. Além disso, para fabrica-los,
há que utilizar inúmeras máquinas
de cortar, de costurar, de lixar,
de enformar e muitas e diversificadas
ferramentas. Eventualmente essa
fábrica de calçados poderia fabricar
um bom número de suas necessidades
de materiais e equipamentos para
fazer os seus sapatos. A pergunta
é: - Seria conveniente do ponto
de vista econômico, de custos:
Haveria benefícios em investir
paralelamente na produção de tudo
o que ela precisa? Pensemos por
um momento na matéria prima principal,
básica, de um sapato de couro:
Seria possível ou pelo menos seria
racional, essa tal fábrica de
sapatos investir em toda a escala
produtiva do couro, para ter a
sua matéria prima essencial? Criar
o boi, matar o boi, extrair o
couro curti-lo, processa-lo, transporta-lo,
armazena-lo, comercializar a carne
e tudo o mais do boi ? Logo concluímos
que o nosso calçadista, por imposição
dessas múltiplas atividades, teria
que ingressar em diversas outras
linhas industriais e comerciais.
A fabricação de calçados até poderia
perder sentido para ele. Se, então,
começarmos a pensar na limitada
necessidade que ele tem das tachinhas
de aço, para preguear o seu sapato,
o envolvimento na cadeia de produção
será inimaginável. Teríamos que
cogitar, até mesmo, da mineração
do ferro! Com o País ocorre algo
similar. Para fabricar alguns
produtos, acontece que não temos
localmente as matérias primas
requeridas. Ou para produzi-los
os investimentos seriam tão altos
que tornaria inviável a sua produção.
Em outros casos seria até possível
produzir localmente, mas a escala
de consumo do mercado interno
não permitiria preços compatíveis
com o interesse, ou o poder de
compra do consumidor. Não há massa
critica de consumidores para produzir
em quantidades econômicas. Nem
é bom falar naquela história da
divisão racional do trabalho e
da produção. Mas, é preciso acentuar
a importância da especialização,
que gerou a globalização. Quanto
mais especializadas forem as linhas
de produção, tanto mais será possível
fazer um produto melhor e mais
barato. O caminho é esse, do qual
não se pode, com o quadro de hoje,
distanciar-se muito. A importação,
portanto, é inevitável. Sem cogitar
de outros fatores, por duas simples
razões: a primeira é porque não
dispomos daquilo que precisamos
nas quantidades, no preço e no
tempo que precisamos; e a segunda
é que não podemos produzir na
qualidade e no preço que o mercado
quer e pode pagar. Vejamos o exemplo
de um produto como a vitamina
C. Há anos que se tenta fabrica-la
no Brasil. E porque não se fabrica?
É simples. Sabemos e podemos fazer.
Sim. O consumo interno, porém,
não justifica uma fábrica que
teria que produzir uma quantidade
mínima economicamente capaz de
oferecer o produto a um preço
competitivo. Essa quantidade mínima
é muitas vezes maior do que o
consumo interno do País. Bem,
então vamos fabricar e exportar
o excedente. Seria a solução.
Ocorre que a oferta atual de Vitamina
C no mercado internacional supera
a procura. Qualquer oferta adicional
aviltaria os preços a um tal nível
que todos os fabricantes mundiais
seriam afetados de forma absolutamente
mortal talvez devido a uma concorrência
predatória para sobreviverem.
E, certamente, a fabriqueta brasileira
seria afogada nesse maremoto No
caso o melhor mesmo é importar.
Não exige investimentos, nem riscos
com a produção e é mais barato.
Importar, portanto, havemos de
concordar, é inevitável em muitos
casos. E beneficia a todos. E
a Exportação? Podemos dizer, não
fossem outras razões e são muitas,
que ela se justifica pela necessidade
de importar. É um truísmo, mas
sempre é bom lembrar, para importar
é preciso ter o dinheiro para
pagar as importações. Esse dinheiro
só pode ser gerado pelas exportações.
Importações não se pagam com reais.
Pagam-se com moeda forte, com
divisas de livre trânsito nos
mercados mundiais. Obtidas com
a Exportação. Chegamos a uma conclusão
óbvia: Exportar é uma necessidade.
Todos se beneficiam das exportações
e não somente os comerciantes,
os industriais ou os intermediários.
As exportações pagam as importações,
é preciso repetir. Pagam ainda
todos os compromissos do Brasil
com os outros países, pagam os
empréstimos, os juros e os rendimentos
das inversões estrangeiras. Pagam
as necessidades dos industriais
e dos comerciantes e dos viajantes,
pagam tudo o que entra no mercado
brasileiro: pagam as máquinas
e equipamentos para produzir mais,
pagam as matérias primas e tudo
o mais que se precisa para o desenvolvimento
do país e o bem estar das pessoas.
Pagam tudo o mais que precisamos
para produzir, distribuir e consumir
todos os dias. As exportações
pagam muitas, aparentemente, pequenas
coisas para o nosso conforto e
o nosso prazer como consumidores;
pagam a nossa pasta de dentes
e o nosso sabonete com seus ingredientes
importados, pagam o fermento e
o trigo do nosso pão de cada dia,
pagam os químicos purificadores
da água que bebemos, pagam a caixinha
que embala o leite das nossas
crianças e muitas vezes o próprio
leite sob a forma de queijos,
Graça à Exportação é possível
gozar de todos esses prazeres,
ou utilidades, e muitos outros.
Podemos ver as boas horas da vida,
num bom relógio, ver a nossa televisão
com suas novelas chorosas ou atrevidas,
podemos viajar, conhecer melhor
o nosso Brasil e o mundo, para
deleite ou para acelerar negócios.
Podemos sentir segurança para
nossa saúde, com os sofisticados
aparelhos hospitalares que a protegem.
Com a Exportação perdemos o medo
de consumir e ganhamos novo ânimo
para consumir melhor! Se todos
ganhamos com a exportação, a todos
cabe a responsabilidade por mante-la,
estimula-la e acelera-la. Cada
um, da forma que puder.
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